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Startups do agro atraem até quem ‘nunca abriu porteira de fazenda’ Adicionado em 05/03/2024
 

O médico Fernando De Marco diz que nunca abriu a porteira de uma fazenda, mas decidiu investir em agtechs, startups que desenvolvem novas tecnologias para o campo. Ele faz parte de uma nova onda de “gente da cidade” que vê no agronegócio uma boa opção para diversificar os investimentos. Até pouco tempo, apostar no agro para esse público era investir sobretudo em terra e gado.

Nos últimos dois anos, mais de 2,86 mil investidores pessoas físicas realizaram aportes em agtechs via equity crowdfunding, modalidade que funciona como uma vaquinha virtual, mostram dados das plataformas Arara Seed, Captable e EqSeed. A diferença é que, em vez de receber itens ou benefícios como nas vaquinhas tradicionais, os apoiadores ganham participação acionária na empresa ou um título de dívida.

“Sou bem eclético em investimentos, já me meti em muita coisa. Hoje, sem nunca ter aberto a porteira de uma fazenda, estou em uma empresa que monitora cinco milhões de fazendas”, afirma o médico de São José dos Campos (SP), referindo-se à SciCrop, uma das quatro agtechs investidas por meio da EqSeed. As outras são Hórus, JetBov e PecSmart.

Na prática, o equity crowdfunding permite que investidores participem de rodadas com aportes bem menores quando comparados aos do mercado de capital de risco tradicional. O valor médio dos cheques na plataforma EqSeed, por exemplo, é de R$ 13 mil.

De Marco diz que a plataforma dá acesso a dados importantes sobre o segmento e sobre as startups, o que facilita a tomada de decisão. O médico é pé-quente: das 30 startups investidas por meio da EqSeed, cinco tiveram saída, com “múltiplos de retorno que você não encontra no mercado financeiro de maneira usual”, afirma.

Cofundador da empresa de marketing para startups 2simple e CEO do Arena Hub, Fernando Patara costuma investir em startups que atendem o segmento esportivo, mas quando viu boas oportunidades no agronegócio, também não deixou passar.

“Acredito no desenvolvimento dos mercados por meio de inovação, independentemente de qual mercado”, frisa. Para ele, o agronegócio ainda tem muito potencial de adoção de tecnologia, e as soluções devem ganhar tração à medida que as novas gerações assumem as fazendas, mudando a forma de produzir.

Essa troca entre investidores de fora do agronegócio com as agtechs pode ampliar o olhar sobre as soluções para o campo. Segundo Patara, tecnologias já em uso por setores de varejo, por exemplo, poderiam trazer ganhos para as dinâmicas da agricultura.

Do ponto de vista das startups, o equity crowdfunding é um mecanismo promissor, afirma José Damico, CEO da SciCrop, que captou R$ 2 milhões pela plataforma em 2021. “Eu diria que é mais maduro que o venture capital, principalmente para o agro, que precisa de algo rápido e objetivo, além de ter um efeito de publicidade importante, que traz oportunidades imediatamente depois”, diz.

Parte dos investidores toma para si a missão de ser embaixador da empresa e participa ativamente comentando os relatórios sazonais sobre o andamento dos negócios, segundo o CEO da startup.

O CIO da EqSeed, Igor Monteiro, afirma que o interesse de investidores pessoas físicas que não são da zona rural em rodadas de equity crowdfunding de agtechs começou a surgir em 2020 e cresceu após a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aumentar o teto da receita de startups que podem captar por meio desse mecanismo, em meados de 2022. Hoje, empresas com faturamento anual de até R$ 40 milhões podem captar R$ 15 milhões.

Segundo ele, a modalidade permite que startups que não teriam acesso a recursos no mercado de capital tradicional captem investimento. Enquanto isso, poupa investidores que não conseguem ou não querem lidar com a parte burocrática e de análise de risco. Nesse sentido, a plataforma fez uma parceria com o Itaú para que usuários da íon, plataforma de investimentos do banco, possam participar das rodadas da EqSeed.

A EqSeed estima que o agronegócio seja o terceiro principal nicho de interesse de investidores na plataforma, atrás de fintechs e soluções de energia. Por enquanto, a plataforma ajudou quatro startups do agro a levantarem R$ 12 milhões. “Só este ano estamos com duas rodadas abertas e boas conversas em aberto para atender o apelo do investidor”, afirma.
Monteiro diz que ainda que nenhuma agtech que passou pela plataforma tenha tido saída, as seis startups de outros segmentos que tiveram remuneraram o investidor com 43% ao ano.

De acordo com o CEO da Captable, Paulo Deitos, o volume captado por agtechs via equity crowdfunding só não é maior porque nem toda startup passa no crivo da plataforma. A taxa de aprovação, entre propostas e o que é ofertado aos investidores, gira em torno de 2%. “Mas as rodadas das agtechs aprovadas são sempre muito rápidas e desejadas, com cheques até maiores do que em outros segmentos”, afirma ele.

Fonte: Globo Rural


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