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Venture Capital | No Norte Ventures, os fundadores de startups dão às cartas nos investimentos Adicionado em 31/08/2020
 
No Brasil, cada vez mais fundadores de startups se tornam investidores. E, pelo menos, 100 deles estão no Norte Ventures, que conta com os empreendedores de iFood, Gympass, MaxMilhas, Movile, Kovi, Brex, entre outros. Gabriel Benarros, sócio do fundo e da Ingresse, conta a estratégia e explica a lógica por trás dos aportes.

O empreendedor Gabriel Benarros enfrentou uma série de desafios nos últimos meses. À frente da startup Ingresse, fundada por ele em 2013, ele teve de reinventar a companhia por conta da pandemia do coronavírus, que abalou as estruturas do setor de entretenimento ao vivo.

Nessa frente, ele fechou o escritório e migrou todos os funcionários para o home office, cortou pessoas e começou a se preparar para um cenário em que os shows transmitidos pela internet vão ganhar espaço até que as experiências ao vivo voltem com força.

Mas ao mesmo tempo em que lidava com o dia a dia da Ingresse, Benarros também selecionava startups para investir.

Ele, ao lado de Bruno Nardon, ex-Kanui e Rappi Brasil, e Gustavo Ahrends, do fundo Sow Capital, é um dos fundadores do Norte Ventures, um fundo de venture capital em que os investidores são fundadores que estão ainda na ativa em suas empresas.

“A gente se vê mais como um clube de fundadores que querem apoiar outras empresas, usando não só o capital, mas as coisas que aprendemos ao longo de nossa operação e jornada”, afirmou Benarros, ao CAFÉ COM INVESTIDOR, programa que entrevista os principais gestores de venture capital, do NeoFeed.

O fundo Norte Ventures, criado no fim do ano passado, conta com 100 investidores. Todos os nomes, de acordo com Benarros, são de fundadores de startups que ainda estão no dia a dia de suas empresas ou que atuam em fundos de venture capital do mercado brasileiro.

Benarros diz que são investidores do fundo os fundadores de startups como iFood, Gympass, MaxMilhas, Movile, Kovi e Brex. Entre os fundos de venture capital, o Norte Ventures conta com nomes da Monashees, DNA, Fundação Estudar, Caravelas, Redpoint eventures e OneVC.

Esse é um movimento que começa a se tornar mais comum no ecossistema brasileiro de empreendedorismo: fundadores que se tornam investidor. Um exemplo é o fundo Canary, que conta com uma rede de empreendedores entre os investidores, como Mate Pencz e Florian Hagenbuch, da Loft.

Mas como os empreendedores do Norte Ventures podem ajudar as startups em que investem já que estão na ativa em suas respectivas empresas? De acordo com Benarros, de três formas.

A primeira delas é em vendas, através da rede de contatos dos empreendedores do fundo, que pode abrir diversas portas. Ele cita o exemplo da Flash, startup de benefícios que o Norte Ventures investiu. “Toda as empresas dos fundadores do clube podem usufruir desses benefícios”, afirma Benarros.

O Norte Ventures também colabora com as próximas rodadas das startups, conectando as empresas aos fundos. “Por termos feito negócios com esses investidores, temos muito conforto em falar como cada um opera”, diz Benarros.

Por fim, o fundo dos empreendedores colabora com o recrutamento nas startups. O Norte Ventures chegou ao extremo de unir os fundadores. Foi o caso da healthtech Klivo, em que André Sá e Marcelo Toledo, os dois fundadores, foram apresentados pelo Norte Ventures.

Isso só é possível porque o Norte Ventures investe em estágios iniciais da startup, muitas vezes quando ela é uma ideia que está apenas no Powerpoint, como era o caso da Klivo. Nesse caso, os fundadores, que eram de segunda viagem, justificavam a aposta.

Os cheques do Norte Ventures variam de US$ 50 mil a US 200 mil, num estágio que Benarros chama de pré-seed. A gestora, que não revela o tamanho do fundo, diz que guarda dinheiro para follow ons nas empresas que se mostrarem mais promissoras.

A tese do Norte Ventures é simples: investir em startups de alta visibilidade e óbvias, que são capazes de “disruptar” segmentos da economia. Parece fácil, mas não há nada mais difícil do que enxergar o óbvio.

Benarros ilustra a tese com o exemplo da Trybe, uma startup que forma desenvolvedores. “O que é mais óbvio do que a gente precisar de programadores no mercado em todos os segmentos”, afirma Benarros. “É uma dor gigantesca.”

A Buser, que é uma espécie de Uber dos ônibus, é também citada por Benarros como um investimento óbvio. “O Brasil é um país de rodovias, com players tradicionais e sem disrupção”, diz. “A Buser é literalmente a única empresa bem posicionada e atraiu ótimos investimentos, como Softbank, Valor e Canary.”

Mas se os investimentos são óbvios, como diz Benarros, ele é bastante concorrido pelos principais fundos de venture capital. Por que, então, o Norte Ventures, que faz cheques pequenos, participaria das rodadas?

“O empreendedor bota a gente para dentro. Ele quer a comunidade de outros empreendedores em estágios mais maduros para aconselhá-lo”, responde Benarros.

A pandemia do coronavírus não alterou o ritmo dos investimentos do Norte Ventures – são 25 startups até agora no portfólio. Mas, de acordo com Benarros, trouxe uma correção de até 30% no valuation das empresas.

O coronavírus trouxe também uma “camelização” ao ecossistema brasileiro, numa referência a Alex Lazarov, que defende que as startups sejam mais camelos em vez de unicórnios. “A ‘camelização’ é positiva, pois gera mais sustentabilidade”, afirma Benarros.

O fundador do Norte Ventures conta também, neste episódio do CAFÉ COM INVESTIDOR, sua trajetória pessoal. Ele é natural de Manaus e foi bolsista da Fundação Estudar, de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira.

Benarros fez o “application” para 20 universidades americanas e foi selecionada em 17 delas. Comprou uma revista que continha um ranking das melhores faculdades dos EUA e escolheu aquela que era a mais bem classificada entre as que havia sido chamado: era a Stanford University. “Na época, não sabia o que era o Vale do Silício”, diz Benarros.

Fonte: Neo Feed


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