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Entrevista com Laura Trapp, sócia-diretora de Deal Advisory M&A Tax na KPMG do Brasil e membro do Comitê do Programa de Mentoria para Mulheres em PE/VC da ABVCAP Adicionado em 31/03/2022
 


Equidade de gênero é um tema que precisa estar em pauta o ano inteiro, não só em março, quando se comemora o mês da mulher. Por isso, entrevistamos Laura Trapp, sócia-diretora de Deal Advisory M&A Tax na KPMG do Brasil e membro do Comitê do Programa de Mentoria para Mulheres em PE/VC da ABVCAP, que nos conta um pouco dos desafios da carreira de uma executiva em uma indústria ainda predominantemente masculina.

Você se imaginava nesse cargo atual quando começou sua carreira?

Comecei como trainee na KPMG, em Porto Alegre, há 18 anos na área tributária. No início era uma carreira com poucas mulheres, e fui abrindo caminho para que outras pudessem ascender profissionalmente também. Tinha o sonho de me tornar gerente e, em menos de 5 anos, cheguei nesse cargo e comecei a olhar outras possibilidades.

A gerência já parecia impossível para mim, como mulher-auditora, sem falar Inglês e formada em universidade intermediária, mas observei que havia sócias mulheres que trabalhavam no escritório de São Paulo e em escritórios internacionais da empresa, e enxerguei que era possível chegar lá também. Em 2013, após ter passado por um intercâmbio internacional na Holanda, pedi transferência e mudei para São de Paulo. Em 2018, tornei-me a primeira sócia-diretora promovida com atuação na área de M&A Tax da KPMG.

Na época, as pessoas achavam estranho que meu marido tinha aberto mão da carreira dele, em Porto Alegre, para me acompanhar em São Paulo. Normalmente, são as esposas que ficam à disposição dos cargos dos maridos, mudando de cidade e deixando os empregos. No nosso caso, ele entendeu que poderia ser algo bom para nós como família, não só para minha carreira.

Como avalia as ações das empresas para termos mais equidade de gênero?

Hoje já se tem mais diversidade e políticas para aumentar o número de mulheres. Atualmente, na KPMG, temos aproximadamente 30% do quadro societário formado por mulheres. Essa distorção não se corrige da noite para o dia, você primeiro precisa mostrar para a base que é possível e, ao longo da carreira, ajudá-las a chegar lá. Temos metas globais de seguir aumentando a proporção de mulheres nas liderança.

Ainda temos que enfrentar preconceitos e más atitudes naturalizadas. Uma vez cheguei a ser questionada, em um evento corporativo, se eu estava acompanhando o meu marido. Quando expliquei que eu era a representante da empresa, e o meu marido é que estava me acompanhando, a pessoa ficou bastante surpresa. Ainda há um preconceito estrutural na cabeça das pessoas. Precisamos ultrapassar essas barreiras.

 Quem foi a mulher que mais ensinou/ensina você?

A minha primeira inspiração feminina foi a minha avó, uma mulher forte, em uma época em que as mulheres divorciadas ainda eram discriminadas. Ela teve a coragem de sair de um casamento com problemas e lutar, vendendo artigos de moda, de porta em porta, para que suas filhas pudessem ter recursos financeiros para cursar faculdade.

Até mudar para São Paulo, nunca tive chefes mulheres, mas um ex-gestor, Altair Toledo, me ajudou muito a quebrar essas barreiras que se impunham à minha frente e que poderiam impedir meu crescimento. Ele foi um grande incentivador, inclusive quando eu quis fazer o intercâmbio e, depois, mudar de escritório. Um exemplo caro de “#HeForShe”, a campanha iniciada pela ONU Mulheres, em 2014, para encorajar jovens e homens em redor do mundo a tomarem iniciativa e medidas contra a desigualdade de gênero.

Posteriormente, comecei a participar de programas de mentoria que me ajudaram no processo, e acabei me inspirando em outras mulheres que encontrei pelo caminho.  Recomendo que as mulheres interessadas em desenvolver carreira participem desses programas.

 Qual é o seu maior sonho?

Hoje, tenho dois grandes sonhos: a maternidade e me tornar sócia da KPMG. Sei que nada é impossível para quem tem um objetivo e força de vontade de persistir. Também quero continuar assessorando e mentorando outras mulheres. Eu me beneficiei de um programa de mentoria, por isso, acho importante retribuir o apoio que tive, contribuindo para uma sociedade melhor e mais igualitária. Espero que outras lideranças femininas também possam se sensibilizar com os percalços que afligem a nossa carreira em especial, auxiliando e dando o suporte para que outras mulheres também possam chegar lá.

Como o programa de diversidade e os comitês da ABVCAP vêm contribuindo para melhorar a representatividade feminina?

Procuramos aconselhar as mulheres, pois percebemos uma alta incidência na descontinuidade das carreiras femininas por questões familiares, como ter filhos, casar, cuidar da familia, etc. Precisamos desconstruir esse mito de que mulher bem-sucedida tem que ser solteira e “disponível para a empresa” o tempo todo. Nossas vidas pessoais têm que continuar caminhando em paralelo, para que tenhamos uma felicidade completa, e com isso, sermos profissionais melhores.

A indústria de PE e VC ainda é bastante masculina. Vejo poucas mulheres em cargos de liderança. As mulheres que chegaram lá são referência e precisam ajudar e inspirar outras mulheres, mostrando que é possível casar-se, ter filhos e, ainda assim, ser bem-sucedida no trabalho.

Por meio do Programa de Mentoria para Mulheres da ABVCAP, procuramos criar oportunidades para as mulheres trocarem experiências, abrimos portas, trazemos conteúdo relevante sobre o setor e ajudamos a fazer as conexões necessárias para o desenvolvimento de suas carreiras.

 

Fonte: abvcap


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