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“Quem pensa que a economia parou pode ter uma surpresa logo adiante” Adicionado em 05/06/2020
 
Um dos pioneiros do mercado brasileiro de Private Equity, Álvaro Gonçalves se diz otimista coma retomada da economia após a pandemia do Covid-19. Em entrevista ao site da ABVCAP, o fundador do Grupo Stratus relata os desafios para a gestão de pessoas na crise, os erros a evitar no futuro – e aponta a importância dos fundos de Private Equity e Venture Capital na “cicatrização” das feridas causadas às empresas brasileiras pela pandemia. Abaixo, os principais trechos da entrevista.
 

A Stratus tem investimentos em sete empresas brasileiras, em setores variados. Como a crise está impactando a carteira?

Temos no nosso grupo um conjunto de 7 plataformas empresariais, com faturamento entre 3 e 4 bilhões de reais. Os efeitos foram os mais diversos. Duas empresas têm tido demanda superaquecida: a InvestFarma (que vem consolidando redes de farmácias) e a DGH Alimentos (que trabalha com itens para alimentação básica como feijão, milho de pipoca e farinhas) e duas empresas ficaram impossibilitadas de operar durante os meses de quarentena (a rede de academias de ginástica Just Fit e a rede de cinemas Cinesystem). No meio do caminho, temos empresas B2B (BBM Logística, Convert-Flex e Maestro Frotas) que operam com diversos setores, tanto os que sofrem mais quanto com os que sofrem menos. Em comum, nossas sete empresas têm baixo endividamento e são capitalizadas. Passados quase três meses de quarentena, já é possível constatar que algumas delas vão ser protagonistas de processos de consolidação em seus setores. Temos DNA associativo e isso favorece a consolidação – não somos compradores vorazes tentandoaproveitar alguma situação de vulnerabilidade.  
 

Lidar com os gestores e funcionários das investidas é o maior desafio dessa crise?

Com certeza. Alguns executivos têm o impulso de abrir uma nova 'caixa de ferramentas' de gestão, e sair refazendo estruturas, mudando critérios, alterando metas - e na prática acabam tirando as referências da equipe e da estrutura como um todo. É importante adaptar e criar sobre o que já existe, evitando desestabilizar uma estrutura gerencial que já estará de alguma forma sob um nível inusitado de pressão. Essas empresas funcionam como um conduíte de informação de saúde para cerca de 100 000 pessoas, e essa é uma faceta diferente dessa crise. As empresas são âncoras de apoio nesses dias tão desafiadores, transmitindo informação correta. Nossas empresas têm hoje médicos e profissionais de enfermagem à disposição dos funcionários e de suas famílias para esclarecer e orientar, e isso deve continuar no pós Covid. Esse tipo de postura já retorna em comprometimento maior das equipes e vai se transformar numa enorme vantagem competitiva na fase seguinte.


Vocês aumentaram as interações com as equipes e os investidores? 

Sim, essa é a hora de estar mais perto do que nunca. Criamos um comitê de cooperação que conta com os principais dirigentes das nossas empresas, numa reunião virtual periódica. Discutimos protocolos de proteção e de operação, convidamos especialistas e buscamos áreas de colaboração entre as empresas. A cada 4 ou 6 semanas fazemos uma videoconferência com os investidores, em sessões para os brasileiros e para os estrangeiros, e buscamos compartilhar nossa visão, nossas iniciativas, a situação das empresas investidas e a nossa própria dinâmica interna neste momento. Estamos também interagindo muito com empresários e analistas na Europa para tentar vislumbrar o que virá logo depois, e eles têm dado lições muito valiosas sobre aspectos operacionais de cada setor e também da dinâmica das equipes.


Quais são os maiores riscos a evitar?

O maior risco é prometer às equipes (e clientes) que haverá uma “volta”. Existem comunicações de liderança que potencializam a ansiedade e o estresse. O gerenciamento honesto e realista de expectativas, sobre a vacina, sobre a próxima fase, sobre os riscos do negócio, é fundamental. Ficar provocando reuniões sobre "a volta" (remetendo implicitamente ao cenário similar ao anterior) pode potencializar gerar frustração na próxima fase. Algumas empresas na Europa já relatam um "vale psicológico" na reabertura, com pessoas que contavam as horas para poder ir ao escritório e agora pedem para ficar em casa mais um tempo. O escritório, afinal, será outro ambiente, com muito menos interação. Qualquer surpresa negativa poderá deflagrar um mecanismo de frustração dificílimo de conter. E nesse sentido é melhor nem utilizar a palavra "volta" e sim referir-se sempre à "próxima fase". 

 
Como essa crise mudará a rotina de investimentos de um gestor de private equity?

A análise de investimentos ganhou novas equações, para combinar com as fórmulas tradicionais. Projetar cenários de estresse passou a ser obrigatório. É fundamental quantificar o efeito do endividamento e do custo fixo não gerenciável, a demanda reduzida no intervalo mais crítico e outras variáveis. São todos conceitos básicos, mas que agora precisam ser encadeados numa sequência cumulativa e específica, para indicar a necessidade de capital e simular retornos. A equação de giro, muitas vezes desprezada, passa a ter papel central na análise. Essas métricas já demonstram que alguns setores pouco afetados no momento inicial podem não oferecer oportunidades de retorno tão atrativas, enquanto outros setores que tenham sido paralisados, uma vez financiada a conta do período de paralisação, podem oferecer retornos mais atraentes. 
 

Como o private equity vai ajudar na retomada? 

Quem pensa que a economia parou pode ter uma surpresa logo adiante. Os brasileiros não estão dormindo em casa. E existe no Brasil uma mola empreendedora que foi comprimida. Gente criativa e trabalhadora, desenvolvendo e adotando tecnologias novas. Essa pausa, durante a compressão da mola, proporcionará energia e mais criatividade ainda, logo adiante. E o resgate da economia poderá se materializar no empreendedorismo. Financiaremos e nos tornaremos parceiros de muitos destes empresários, novos e experientes. E com o aporte de capital e de energia positiva, o Private Equity/ Venture Capital proporcionará uma cicatrização melhor e mais rápida do que muitos imaginam dos ferimentos econômicos e sociais que estão sendo criados agora no país e no mundo. E trará um retorno nobre para os investidores, com a segurança de ter proporcionado um legado empresarial que impulsione o sonho das pessoas, que incorpore o trabalho de tanta gente em busca de oportunidades e também melhorem o Brasil e o mundo em vários aspectos não econômicos e que agora todos valorizarão muito mais. 

Fonte: ABVCAP News | Junho 2020


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