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Impulsionada por capital de risco, startup de respiradores ajuda a amenizar crise na saúde Adicionado em 06/05/2020
 
A crise gerada pelo Covid-19 elevou em 2500% a demanda da startup paulista Magnamed (www.magnamed.com.br), especializada em ventilação pulmonar. Umas das investidas do Criatec, fundo de investimentos com recursos do BNDESPAR e do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), a empresa recebeu do Ministério da Saúde um pedido de 6, 5 mil respiradores para serem distribuídos pelas UTIs que estão recebendo pacientes em estado grave.

Para atender à solicitação e fechar o contrato de R$ 322,5 milhões, a Magnamed aumentou sua linha de produção. Segundo o próprio Ministério, a empresa tem contado com o apoio de um grupo de empresas lideradas por Suzano, Klabin, Positivo Tecnologia, Flex e Embraer, apoiadas pela Fiat Chrysler, White Martins, Weg, e pelos bancos BTG Pactual, BV, Itaú, Febraban (Federação Brasileira de Bancos), entre outros.

Robert Binder, fundador da Antera Gestão de Recursos e um dos gestores do Criatec, é um dos responsáveis pelo primeiro aporte recebido pela Magnamed. Em 2008, a startup recebeu R$ 1,5 milhão.

Após duas outras rodadas, os investimentos do Criatec na Magnamed totalizaram R$ 5 milhões e o faturamento da empresa atingiu R$ 40 milhões em 2019. A Vox Capital é outro fundo investidor que aportou R$ 15 milhões na companhia em 2015.

A expectativa agora, segundo Binder, é que o resultado de 2020 seja dez vezes maior que o obtido em 2019 – e isso deve ditar o futuro da empresa. Mas, mais importante que o resultado financeiro é a possibilidade de salvar muitas vidas brasileiras com equipamentos de alta qualidade, fabricados aqui mesmo.


Leia a entrevista: 

A Magnamed é uma das investidas pelo Criatec. Como se deu este investimento?

Robert Binder: Em 2007, o BNDES lançou um edital que instituía capital para criar o primeiro grande fundo de capital semente na América Latina: o Criatec. A Antera, que fundei em 2005 após cumprir meu papel como Diretor Executivo da ABVCAP durante 4 anos, se uniu então ao Instituto de Inovação, de Belo Horizonte, e ganhamos o edital. A princípio, devíamos fazer 50 investimentos, por meio de seis escritórios regionais no Brasil.

Com o apoio do Instituto de Inovação, e na base do idealismo, montamos sete bases regionais para o Criatec e fizemos 36 investimentos. Nos dois primeiros anos, foram 24 aportes, e nossos cotistas, BNDES e BNB, decidiram que em vez de 50 novos investimentos iniciais, faríamos apenas 36 e rodadas adicionais para quem estivesse indo bem.

Dentre as empresas que receberam mais de um aporte está a Magnamed. Em 2008, por meio de Francisco Jardim, nosso gestor regional em São Paulo, encontramos esta empresa no CIETEC da USP, tentando entrar para o mercado de ventiladores pulmonares.

Eles tinham apenas um protótipo na época. Em três rodadas, receberam R$ 5 milhões de investimentos do Criatec, além do aporte da Vox em 2015. Criou-se assim uma família inteira de ventiladores ao longo dos últimos 10 anos. Tudo com tecnologia nacional. Um ventilador da Magnamed tem aproximadamente 200 componentes e 85% deles são produzidos hoje no Brasil.


A Magnamed estava preparada para a alta demanda gerada pelo coronavírus?

A empresa já exportava para mais de 40 países e sua produção era de aproximadamente 250 ventiladores por mês. O aumento de pedidos da Itália já havia feito a empresa entender que precisava elevar sua produção.

Quando houve a demanda do Ministério da Saúde, um grupo de empresas se reuniu para fazer acontecer. A Suzano adiantou dinheiro para que a Magnamed pudesse produzir. Sem remuneração nenhuma, juntaram-se a esse esforço outras companhias, como Klabin e Positivo.

Estamos no meio do processo para produzir as 6.500 unidades e, se bem sucedidos, devemos produzir muito mais. A história está para ser contada. Entregamos 600 ventiladores em abril, e a expectativa é que cheguemos à capacidade de 2 mil ventiladores por mês.


Era possível se preparar para uma crise como esta?

Não há previsibilidade para isso. Ninguém estava preparado para a Covid-19. Como investidor, quando você pensa em um investimento, prevê tudo que é possível, mas o imponderável é imponderável.


E como o investidor pode contribuir com o empreendedor além do aporte financeiro,
especialmente num momento como este?

Em capital semente isso é um mantra. O investidor é “mão na massa”, está junto do empreendedor para fazer o que puder para ajudar. É preciso separar os papéis, mas o investidor deve estar lá para ajudar em tudo que o empreendedor está fazendo. No caso da Magnamed, no processo de 6.500 ventiladores, tivemos um membro da nossa equipe, Paulo Tomazela, que trabalhou inteiramente dedicado à empresa para resolver o problema da produção.


Como será o pós-crise para a Magnamed?

O mercado nacional tem uma demanda muito grande e esse pedido de 6.500 ventiladores pode ser ampliado. A recomendação da Organização Mundial da Saúde é que um ventilador não passe de cinco anos em uso e a média do Brasil está bem acima disso, em aproximadamente 17 anos.

Além disso, uma empresa que já exporta para mais de 40 países mostra que é competitiva. A tendência é que o custo unitário caia em função de níveis de produção diferenciados.

Existe também uma trajetória no mercado de capital de risco que indica que novos investidores entrem na empresa e ela deixe de ser investida apenas por fundos de Venture Capital.

Se a Magnamed registrar o faturamento esperado de R$ 400 milhões este ano, pode se tornar altamente interessante para um fundo de Private Equity. Por fim, existe uma outra possibilidade que é fazer um desinvestimento na empresa a partir do mercado acionário, colocando o papel em Bolsa.

Fonte: ABVCAP News - Maio 2020


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